No ano passado, o nadador César Cielo embarcou para as Olimpíadas de Pequim como mero coadjuvante na delegação brasileira. Dias antes da competição estava descrente, treinando mal e encarando fast food toda hora. Faltava foco. Faltava. Cielo retomou a concentração, colocou na cabeça que estava lá por merecimento – havia levado dois ouros no Pan-Americano de 2007 –, caiu na água e fez bonito, muito bonito. Bateu o recorde olímpico na prova de 50 metros e se tornou o primeiro nadador do país a conquistar uma medalha de ouro nos jogos. Isso sem contar o bronze nos 100 metros nado livre. Cielo voltou da China com status de celebridade.
Aos incautos, pode até parecer que o caminho entre o posto de segundo escalão e o de herdeiro da fama de Fernando Scherer e Gustavo Borges tenha durado só os 21s30 nas piscinas chinesas. Mas Cielo só ocupou o lugar de seus antigos ídolos e foi eleito o melhor atleta nacional em 2008 pelo Comitê Olímpico Brasileiro porque tinha exatamente isso em mente. Paulista de Santa Bárbara D’Oeste, ele deixou os pais e o país para treinar em Auburn, nos EUA, onde teve que trabalhar nas piscinas de domingo a domingo e abrir mão até de namorada – o que, convenhamos, é um bruta esforço para um garoto de 21 anos. Foi duro? Foi. Mas ele compensou com motivação.
Cielo sentia-se instigado com comentários pontuais do treinador, o ex-nadador australiano Brett Hawke, sobre o desempenho dos rivais. Ao longo do treinamento, traçava os planos em números. Anotava em papéis a meta a ser batida e os colava no banheiro, na tela do computador, no teto do quarto: ao abrir os olhos, o objetivo estava lá. Frases motivacionais completaram a decoração. Mas isso é só um dos pontos que ajudaram o cara a chegar lá. Ele sabe que manter o foco acurado e a cabeça equilibrada é tão importante quanto treinar duro. A receita para ser campeão envolve concentração, confiança e coragem – não apenas 34 braçadas e nenhuma respiração. Quer se dar bem como Cielo? Ele ensina como
SOBRE INSPIRAÇÃO
Sempre busquei inspiração na vitória. Quando criança, só continuei a nadar porque
estava ganhando. Minha primeira conquista veio aos 8 anos, nadando num festival do clube Barbarense. Fiz 25 metros em 18 ou 19 segundos, mas o que me inspirou a continuar foi
chegar em primeiro. Hoje, gosto de ler livros como o do Bernardinho e o do Michael
Jordan, principalmente as partes em que contam os momentos difíceis. Histórias de superação são motivadoras. Ouvir é importante para alcançar o sucesso. David Marsh, meu
supervisor nos EUA, gosta de contar histórias e seus atletas sempre se dão bem no final.
estava ganhando. Minha primeira conquista veio aos 8 anos, nadando num festival do clube Barbarense. Fiz 25 metros em 18 ou 19 segundos, mas o que me inspirou a continuar foi
chegar em primeiro. Hoje, gosto de ler livros como o do Bernardinho e o do Michael
Jordan, principalmente as partes em que contam os momentos difíceis. Histórias de superação são motivadoras. Ouvir é importante para alcançar o sucesso. David Marsh, meu
supervisor nos EUA, gosta de contar histórias e seus atletas sempre se dão bem no final.
SOBRE SUCESSO
Como já cheguei ao lugar mais alto do pódio agindo de um jeito, vou repetir toda a minha preparação. Mas fazendo algumas poucas mudanças para que eu consiga superar o que
conquistei. Estou a 2 centésimos de segundo do recorde mundial dos 50 metros (21s28, do australiano Eamon Sullivan) e quero bater essa marca. Sou muito visual: para a prova de 100 metros, anotei em papéis o tempo de 49 segundos. E fiz 48. Gosto de queimar o papel
depois de obter a marca, como um ritual. Meu novo tempo já está estipulado e grudado no teto de casa. Mas não revelo a marca.
conquistei. Estou a 2 centésimos de segundo do recorde mundial dos 50 metros (21s28, do australiano Eamon Sullivan) e quero bater essa marca. Sou muito visual: para a prova de 100 metros, anotei em papéis o tempo de 49 segundos. E fiz 48. Gosto de queimar o papel
depois de obter a marca, como um ritual. Meu novo tempo já está estipulado e grudado no teto de casa. Mas não revelo a marca.
SOBRE TER FOCO
É um grande sacrifício ficar em Auburn (EUA) longe da família. É uma cidade muito pequena – no Clube Pinheiros (SP), onde eu treino no Brasil, tem mais gente do que lá. Não dá vontade de fazer nada. Por outro lado, fica mais fácil manter o foco, fundamental para qualquer um. Durante a preparação para as Olimpíadas, tropecei na disputa do Mare Nostrum [circuito europeu de natação]. Disputei contra quatro dos caras que nadariam comigo nas Olimpíadas, perdi todas e quase entrei em desespero. Só voltei a treinar porque
recuperei a motivação: eu precisava daquilo, acreditava no sonho.
recuperei a motivação: eu precisava daquilo, acreditava no sonho.
SOBRE O TREINAMENTO
Gosto de ser desafiado, de sentir raiva. Mas não de forma grosseira, que é normal nos Estados Unidos. Você precisa ter uma meta e traçar o caminho até ela, mas com estudo, dados, orientação de gente capacitada. Aprendi com o Gustavo Borges, com quem treinei por dois anos, que não há quem agüente cobrança exagerada. Eu buscava metas de tempo
nos treinos e ficava louco se não alcançasse… Hoje, já melhorei um pouquinho e não me cobro tanto.
nos treinos e ficava louco se não alcançasse… Hoje, já melhorei um pouquinho e não me cobro tanto.
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